V. Baudelaire ou as ruas de Paris

[Apontamentos para a aula do dia  19 de março de 2013]

Paris, 1856

“A velha Paris não é mais! (uma cidade
Muda mais rápido, ai, que um coração mortal);
[…]
Paris muda! porém minha melancolia
Não!, andaimes, palácios novos, avenidas,
Blocos, para mim tudo vira alegoria,
E mais que as pedras, pesam lembranças queridas.”

(Baudelaire, “O cisne”, As Flores do Mal)

As ruas de Paris ainda possuem uma estrutura medieval no início do processo de crescimento e modernização da cidade.

Transitoriedade: “Não se trata, de fato, para Baudelaire, de “representar”, mas sim de “protestar contra”, e se ele é moderno quando traz o gás e o ônibus para dentro da poesia, também o é igualmente quando submete os próprios elementos da modernidade ao que chama em “O pintor da vida moderna” de “idealização forçada”: não refletir o transitório, mas “extrair o eterno do transitório”. (Vernier, p.64)

As correspondances traçam essa ligação entre o eterno e o transitório: a natureza e a cidade.

Na poesia de Baudelaire, geralmente, a cidade não aparece em primeiro plano, nem a multidão, apenas em alguns poemas, como em “A uma passante”:

Richard Avedon

“A rua ensurdecedora ao redor de mim agoniza.
Longa, delgada, em grande luto, dor majestosa,
Uma mulher passa, de uma mão faustosa,
Soerguendo-se, balançando o festão e a bainha;
Ágil e nobre, com sua perna de estátua.
Eu, embevecido, inquieto como um extravagante,
Em seus olhos, o céu lívido onde se oculta o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que destrói.
Um clarão… depois a noite! – Beleza fugidia
Cujo olhar me faz subitamente renascer,
Não te verei senão na eternidade?
Alhures; bem longe daqui! Muito tarde! Jamais talvez!
Pois ignoro onde tu foste, tu não sabes onde vou,
Ah se eu a amasse, ah se eu a conhecesse!”

O choque, a fragmentação da percepção, a intensificação dos estímulos, são características da cidade moderna, segundo Simmel e Benjamin.

A poesia alegórica de Baudelaire retrata essa fragmentação, reflexo da fragmentação da experiência. A cidade como objeto da poesia lírica, uma escrita que não tem mais lugar na cidade. Não é uma poesia que canta a “cidade natal” (como na poesia lírica tradicional), mas fruto de um estranhamento. O olhar do alegórico é o olhar do estranhamento.

A cidade aparece no poema não como sua descrição, mas enquanto sua negação, vis-à-vis: a cidade nega o indivíduo. O olhar de Baudelaire é o olhar do estranhamento, não da aceitação.

O flâneur está entre a multidão e a classe burguesa consumidora.

“Para o perfeito flâneur, para o observador apaixonado, é um imenso júbilo fixar residência no numeroso, no ondulante, no movimento, no fugidio e no infinito. Estar fora de casa, e contudo sentir-se em casa onde quer que se encontre; ver o mundo, estar no centro do mundo e permanecer oculto ao mundo” (Baudelaire, Sobre a modernidade, p.19)

A passagem, que concentra a forma da cidade, do mundo de sua época, é uma construção ambivalente, uma imagem ambígua: é ao mesmo tempo casa e rua, mundo interior e exterior. Por um lado, “[n]a passagem, mais do que em qualquer outro lugar, a rua se apresenta como o intérieur mobiliado e habitado pelas massas.” (Benjamin, Passagens, p.468 [M 3a, 4])  Por outro lado, o interior torna-se rua para o indivíduo que atravessa a passagem: o flâneur, cujo caminhar lento e contemplativo, contrapõe-se ao ritmo acelerado e distraído da multidão. E através da multidão, a cidade é para o flâneur “ora paisagem, ora sala acolhedora” (Passagens, p.47). Estes dois personagens que co-habitam as galerias – a multidão e o flâneur – são complementares, e a partir de olhares opostos ocupam o mesmo espaço.

A boemia como uma classe política e econômica ambígua. Baudelaire extrai sua poesia desse ambiente.

A primeira parte do livro de poemas de Baudelaire, As Flores do Mal, chama-se Spleen [melancolia] et Ideal.

A novidade e a morte coincidem: a última novidade é a morte, o fim – melancolia.

O novo produz a ruína: modernidade e antiguidade. O futuro se constrói nas ruínas do presente. A modernidade se lança ao esquecimento de si. “A modernidade deve estar sob o signo do suicídio”, diz Benjamin.

Baudelaire vê a cidade atravessa por brumas, como um cenário fantasmagórico: a consciência é uma falsa consciência. A cidade não é uma paisagem clara, uma unidade visível, mas fragmentária, multiforme, inconstante.

Henri Cartier Bresson, Ile de la Cité, 1952

Referências:

BAUDELAIRE, Charles. Sobre a modernidade (pdf)(rev)
Vernier. Cidade e modernidade nas Flores do Mal de Baudelaire
Menezes. “O poeta Baudelaire e suas máscaras: boêmio, dândi, flâneur”
Menezes. “O Poeta Baudelaire e a Cidade de Paris”
Medeiros. “Benjamin, leitor de Baudelaire: o poeta, o historiador e a alegoria barroca”
Gileno. “Charles Baudelaire e a cidade de Paris”

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IV. Luis Filipe ou o intérieur

Luis Filipe

À Revolução Francesa seguem-se regimes de monarquia absolutistas, em um ambiente de miséria (alta dos alimentos devido à subprodução no campo, desemprego na cidade), até que em julho de 1830, após a dissolução do congresso pelo Rei Carlos X, uma série de revoltas populares, espalhando trincheiras nas ruas, leva o rei ao exílio. No entanto, temerários com a onda de revoltas populares da pequena burguesia e das camadas mais pobres, a alta burguesia coloca Luis Filipe no poder, com o apoio de banqueiros e grandes empresários. Foi o último Rei da França (1830-1848), conhecido como “Rei burguês”.

A história passa a ser contada como história econômica, em que os índices e os grandes acontecimentos são marcados pelo progresso econômico e pelo desenvolvimento tecnológico.

Surgimento do “indivíduo”. O contato com estranhos torna-se aversivo. O desenvolvimento do transporte contribui para isso: com veículos mais silenciosos, ficar sentado de frente para um estranho durante muito tempo é uma situação incomum na cidade, o silêncio incomoda; daí as cadeiras dos veículos coletivos foram viradas todas para frente, ideia que surgiu nos EUA.

Separação entre casa e local de trabalho. Esse indivíduo, que sai do ambiente mecanizado do trabalho, atravessa a cidade cinzenta e repleta de anônimos, chega em casa e procura abrigo deste mundo desumano. Refugia-se em seus objetos antigos, em sua decoração ostensiva, nos objetos de veludo que guardam sua marca, seu vestígio, dando-lhe a sensação de existir como indivíduo fora da massa.

O conforto primeiramente surge como uma necessidade de diminuir o esforço e mal-estar físico, uma vez que foi percebida a diminuição da produção com a carga de trabalho acentuada. As mudanças no vestuário e no mobiliário trouxeram maior mobilidade gestual, conforto ergonômico e produtividade. Posteriormente torna-se luxo, é incorporada aos objetos da moradia.

A produção de objetos personalizados como reação à produção em série.

intérieur

“Habitar significa: deixar rastros”

Salon from the Gründerzeit (c. 1905)

 

Texto complementar:

FREITAS, F. A habitação como espaço de habituação

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III. Grandville ou as exposições universais

“As Exposições de produtos industriais dizem respeito à relação direta que se estabelece entre produtores, comerciantes e consumidores depois da abolição das corporações.” (Benevolo, p.129)

Galerie des Machines, Exposition Universelle 1889, Paris.

Galerie des Machines, Exposition Universelle 1889, Paris.

Até a primeira metade do séc. XIX, as Exposições da indústria eram nacionais, devido ao protecionismo dos países às suas indústrias nascentes – à exceção da Inglaterra, onde o liberalismo econômico e o comércio ultramar floresceu e prosperou. Após a abertura daqueles países ao comércio internacional, as Exposições tornaram-se universais, sendo a primeira em Londres, em 1851, para a qual foi construído o pavilhão que mudou a história da arquitetura: o Palácio de Cristal, todo pré-fabricado com estruturas de ferro e placas de vidro e montado no Hyde Park para a Exposição. Uma imensa estufa com grandes árvores em seu interior. Depois da Exposição é desmontado e levado para a cidade rural de Sydenham, onde permanece até o incêndio de 1937.

Crystal Palace, Hyde Park, !851.

Crystal Palace, Hyde Park, 1851.

“A importância do Palácio de Cristal não se encontra na solução de importantes problemas de estática, nem na novidade dos procedimentos de pré-fabricação e tampouco nas provisões técnicas, mas sim no novo relacionamento que se estabelece entre os meios técnicos e expressivos do edifício.” (Benevolo, p.132) Devido à regularidade da estrutura e à transparência das paredes, causava nas pessoas a impressão de infinitude.

Palácio de Cristal, vista interna

Palácio de Cristal, vista interna

A Exposição de 1889 em Paris, cem anos após a tomada da Bastilha, é um outro marco na história da arquitetura: a Torre Eiffel.

Torre Eiffel, 1889, Paris.

Torre Eiffel, 1889, Paris.

O historiador E. Renan afirma que as cúpulas de ferro e vidro, ao contrário das de Santa Sofia ou de São Pedro, parecem, “com seu caráter efêmero, como uma prodigiosa prodigalidade.” (apud. Benevolo, p.140)

 

Fonte:

BENEVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 2001.

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II. Daguerre ou os panoramas

Na segunda seção de “Paris, a capital do século XIX”, Benjamin demonstra que a mudança da cidade também está relacionada a inovações técnicas, e ambas correspondem a mudanças no aparelho perceptivo da humanidade.

Daguerre: Boulevard du temple, Paris, 1838.

Daguerre: Boulevard du temple, Paris, 1838.

Uma das principais controvérsias do século XIX pode ser situada na oposição entre arte e ciência, ou entre arte e técnica. Esta disputa ocorre no campo dos estudos arquitetônicos entre a Escola de Belas Artes e a Escola Politécnica de Engenharia: por exigência de novas técnicas de construção diante da utilização de novos materiais (ferro e vidro), a arquitetura acaba por tornar-se obra de engenharia, separando-se da arte, da decoração, da ornamentação. “Enquanto a técnica das construções aperfeiçoa-se com tanta rapidez, a cultura artística tradicional entra em sua crise definitiva.” (Benevolo, p.148) Dessa disputa entre arte e ciência, entre Escola de Belas Artes e Engenharia, o ecletismo surge como sintoma.

Estrutura de ferro da Galerie des Machines, Paris, 1889.

Estrutura de ferro da Galerie des Machines, Paris, 1889.

Assim como a arquitetura separa-se do campo da arte, o panorama torna a pintura uma questão técnica, mais que uma arte – mesmo que representando paisagens naturais, como forma de trazer o campo para a cidade, elas aparecem como artifício.

Panorama Imperial, 1880

Panorama Imperial, 1880

A invenção do panorama é uma das primeiras etapas na história da fotografia. Além do panorama, no século XIX surgiram uma infinidade de “-ramas”, técnicas de produção/reprodução de imagem e movimento, que antecederam a fotografia e o cinema.

Cosmorama

Cosmorama

Havia também uma literatura panoramática: a cidade torna-se cenário de um panorama social em que trabalhadores aparecem como figurantes de um idílio.

Natural History Diorama, New York

Natural History Diorama, New York

http://surfacefragments.blogspot.com.br/2011/03/natural-history-museum-dioramas-new.html

Texto complementar:

FREITAS, F. Cidade cinética. A fragmentação da percep ção em Walter Benjamin

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I. Fourier ou as passagens

As passagens

passagem

Guia Ilustrado de Paris:

“Estas passagens, uma recente invenção do luxo industrial, são galerias cobertas de vidro e com paredes revestidas de mármore, que atravessam quarteirões inteiros, cujos proprietários se uniram para esse tipo de especulação. Em ambos os lados dessas galerias, que recebem a luz do alto, alinham-se as lojas mais elegantes, de modo que tal passagem é uma cidade, um mundo em miniatura.

(Benjamin, Passagens, p.40)

Primeira passagem: Passagem do Cairo, 1799.

Passage du caire, 1926

Passage du caire, 1926

Em 1840, havia uma centena de passagens.

Condições históricas para o surgimento das passagens:

  1. Alta do comércio têxtil: acúmulo de capital, alta produção: moda.
  2. Construção em ferro: primeiro material artificial utilizado em construções; o trilho como precursor da viga. Princípio estrutural: montagem.

Característica comum: transitoriedade.

O vidro começa a ser utilizado, mas até a metade do século XX permanece uma utopia.

→ “Cada época sonha a seguinte”

O "mundo do sonho" de uma incipiente sociedade do consumo.

O “mundo do sonho” de uma incipiente sociedade do consumo.

“Imagens do desejo”: Benjamin apropria-se de certos pressupostos psicanalíticos (de Freud e Jung) e os transfere da esfera do indivíduo para o coletivo, interpretando materiais e dados concretos como cristalizações de desejos. Os desejos projetam o futuro, mas só podem fazê-lo a partir do passado. Dessa interação surgem as utopias. Segundo Benjamin, no “inconsciente coletivo” (Jung), que atravessa todas as sociedades em todos os tempos, a sociedade sem classes seria um “arquétipo”.

As passagens são um “mundo do sonho” que contém as imagens de desejo de uma sociedade do consumo ainda incipiente.

Benjamin propõe o “despertar” desse sonho.

Charles Fourier (1772-1837)

Urbanista do início do século XIX, considerado por Marx um “socialista utópico”, Charles Fourier viu nas passagens o princípio para um modelo de cidade: o falanstério, ou falanges. Essas “ruas-galerias” propiciaram uma integração entre diversas partes da cidade – portanto, de classes – de modo harmônico.

“As ruas-galerias constituem um método de comunicação interna que por si só bastaria para desdenhar os palácios e as belas cidades da civilização.” (Fourier, apud. Choay)

Falanstério

Falanstério

Ao mesmo tempo urbanos e rurais, os falanstérios seriam auto-suficientes trocando bens entre si, dispondo de terras para agricultura e outras atividades econômicas, para vivendas e uma grande casa comum. Segundo Fourier os falanstérios seriam criados através da associação voluntária de seus membros e nunca deveriam ser compostos por mais de 1.600 pessoas, que viveriam juntas em um mesmo complexo edificado para acomodar todos os serviços coletivos. Cada pessoa seria livre para escolher seu trabalho, e o poderia mudar quando assim desejasse, mas os salários não seriam iguais para todos. Uma rede extensa desses falanstérios seria a base da transformação social que por meio da experimentação daria origem a um novo mundo. (Wikipedia)

Familistério de Guise

Godin. Familistério de Guise

O fracasso destes falanstérios, para além de suas dificuldades intrínsecas, se deu graças ao seu rápido crescimento, atraindo em pouco tempo uma quantidade enorme de pessoas pouco preparada e menos comprometida. A maioria não durou mais que quatro anos. O Familistério de Godin, um dos mais importantes, durou até 1968. Hoje funciona como um condomínio (http://www.familistere.com/).

No Brasil, a Comunidade Cecília (Paraná, 1890-1894) e o Falanstério do Saí (Santa Catarina, 1841-1843, sobreviveu até 1864), obtiveram autorização de D. Pedro II; terminaram por escassez de recursos ou conflitos internos.


Plano de uma cidade

charles fourier, cidade garantista

“Devem-se traçar três anéis concêntricos:

– o primeiro contém a cidade central;

– o segundo contém os arrabaldes e as grandes fábricas;

– o terceiro contém as avenidas e o subúrbio.

Os três anéis são separados por paliçadas, relvas e jardins que não devem cobrir a visão.

Toda casa da cidade deve ter como sua dependência, entre pátios e jardins, pelo menos tanto terreno vazio quanto ocupa sua superfície construída.

O espaço vazio será duplo no segundo anel, ou local dos arrabaldes, e triplo no terceiro anel, chamado subúrbio.

As ruas deverão estar voltadas para paisagens campestres ou monumentos de arquitetura pública ou privada: o monótono tabuleiro de xadrez será abolido. Algumas ruas serão curvas (serpenteantes) para evitar a uniformidade. As praças deverão ocupar pelo menos um oitavo da superfície. Metade das ruas deverão ser arborizadas (com árvores variadas).

Mas aqui só temos um resultado a considerar, que é a propriedade inerente a uma cidade como essa, de provocar a associação de todas as classes, operária ou burguesa, e até rica.”

(Fourier, apud. Choay)

Familistère_1

“O grau de emancipação das mulheres em uma sociedade é o termômetro geral através do qual se mede a emancipação geral” (Fourier)

Fontes:

Wikipédia: verbete Charles Fourier [http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Fourier]

CHOAY, Françoise. O Urbanismo. São Paulo: Perspectiva, 2010, pp.67-75.

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SIMMEL. “As grandes cidades e a vida do espírito”

SIMMEL, G. “As grandes cidades e a vida do espírito”.

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BENJAMIN. “Paris, a capital do século XIX”

Em sua exposé de 1935 ao projeto das Passagens, Walter Benjamin narra a transformação da cidade de Paris, a “passagem” de uma vila medieval para a moderna capital do mundo no século XIX. Cada capítulo expõe uma etapa de construção/destruição, associando o nome de um personagem histórico a um lugar ou a invenção técnica. Essa história da cidade concentra-se nas passagens, lugar ambíguo que reflete a cidade como um todo.

BENJAMIN, W. “Paris, a capital do século XIX”, in: Sociologia. Trad. Kothe. São Paulo: Ática, 1985.

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Mostra: Perspectivas Urbanas

mostra perspectivas urbanasMostra Perspectivas Urbanas convida à reflexão sobre o futuro de Ouro Preto

21/02/2013

O setor educativo do Museu da Inconfidência (Ibram/MinC) inaugura, no dia 28, quinta-feira, a mostra Perspectivas Urbanas na Casa Setecentista do Pilar, Anexo III (Rua do Pilar, 76). A exposição apresentará registros de diferentes épocas da paisagem urbana de Ouro Preto, com destaque para fotografias de Luiz Fontana, tendo como referência o caminho do eixo-tronco em torno do qual a antiga Vila Rica se desenvolveu.

A visitação é gratuita e ocorrerá de segunda a sexta, das 10 às 12h e das 14 às 17h até 10 de maio. Também serão promovidas oficinas com o objetivo de trabalhar a educação patrimonial e divulgar o acervo do Inconfidência como ponto de partida para importantes questionamentos sobre patrimônio, preservação, identidade, memória e temporalidade, entre outros aspectos.

Os encontros permitirão reflexões sobre o futuro da cidade a partir das transformações arquitetônicas e urbanísticas sofridas ao longo dos últimos três séculos, traçando-se uma linha do tempo desde a obra do pintor, desenhista, e gravador francês Arnaud Julien Pallière (1784 – 1862), famoso por ter retratado o panorama urbano do centro de Vila Rica, até fotografias digitais do início do século XXI. Inscrições e mais informações: (31) 3551-1378 e mdinc.educa@museus.gov.br.

O QUÊ: Abertura da mostra Perspectivas Urbanas
QUANDO: 28 de fevereiro a 10 de maio. Segunda a sexta, das 10 às 12h e 14 às 17h
ONDE: Casa Setecentista do Pilar, Anexo III do Museu da Inconfidência (Rua do Pilar, 76, Pilar, Ouro Preto, MG)
INFORMAÇÕES: educacionalinconfidencia.wordpress.com,  mdinc.educa@museus.gov.br; (31) 3551-1378
ENTRADA FRANCA.

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Heterotopologia: sexto princípio

6. Têm uma função específica ligada ao espaço que sobra.

a) de ilusão: Criar um espaço ilusório que espelha todos os outros espaços reais, como os bordéis, onde se pode realizar as fantasias e “perversões”, ou ter a ilusão de uma noite de amor e luxúria, que não se tem cotidianamente.

[Leia: Gabriel García Marquez, “Memórias de minhas putas tristes”]

b) de compensação: criar um espaço real perfeito, contrário à nossa desordem, como as colônias no “Novo Mundo”: as puritanas no Norte, e as jesuíticas no Sul. Toda a vida era organizada e regulada pela comunidade, da hora de despertar à de deitar. O Brasil deve seu nome não meramente à árvore, mas, nas línguas nórdicas e latinizadas, significava “Paraíso”. Vide a carta de Pero Vaz de Caminha, referindo-se à beleza da paisagem e à nudez dos índios, como se habitassem o paraíso.

Vila Feliz:

"Vila Feliz", Parnamirim, RN: reprodução de uma vila jesuítica pelo restaurador Hélio Oliveira.

“Vila Feliz”, Parnamirim, RN: reprodução de uma vila jesuítica pelo restaurador Hélio Oliveira.

“Os bordéis e as colônias são dois tipos extremos de heterotopias. Mas, atenção. Um navio é um pedaço flutuante de espaço, um lugar sem lugar, que existe por si só, que é fechado sobre si mesmo e que ao mesmo tempo é dado à infinitude do mar. E, de porto em porto, de bordo a bordo, de bordel a bordel, um navio vai tão longe como uma colônia em busca dos mais preciosos tesouros que se escondem nos jardins. […] O navio é a heterotopia por excelência. Em civilizações sem barcos, esgotam-se os sonhos, e a aventura é substituída pela espionagem, os piratas pelas polícias.”

William Turner

William Turner

 

barco-poster

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Heterotopologia: quinto princípio

  1. Pressupõem um sistema de abertura e encerramento, são herméticas e penetráveis.

Não são como locais públicos. A entrada é ou compulsória (prisões) ou ritualística (religião, escola).

Presídio: entrada compulsória

Presídio: entrada compulsória

Escola: entrada ritualística

Escola: entrada ritualística

Limiar: hospedagens em antigos casarões no Brasil, que serviam para abrigar viajantes, sem que estes tivessem acesso à casa. Às vezes parecem aberturas, mas são exclusões, como os motéis, que abrigam o proibido.

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