Urbanização expansiva

Os limites entre o urbano e o rural (os limites de uma cidade, independente do seu tamanho e porte econômico) são cada vez mais difusos. Cidade e campo são categorias sócio-espaciais.

Sobre a precedência do campo em relação à cidade há uma imensa controvérsia. Alguns defendem que a cidade surge com a produção de excedente do campo e a formação de uma classe sedentária que controla o poder. Outros (como Mumford e Soja) defendem que a cidade surge antes mesmo da superprodução agrícola, ou mesmo do assentamento dos nômades com a invenção da agricultura, quando a cidade era definida como lugar de peregrinação e encontro religioso e festivo.

Segundo Mumford, a cidade surge no período neo-paleolítico, da associação entre o caçador-coletor (paleolítico – eminentemente masculino) e o pastor-cultivador (neolítico – eminentemente feminino), exercendo poder aquele sobre este, como proteção, segurança e dominação.

A cidade política é a consolidação da dominação (poder político, econômico e militar) da cidade sobre o campo. O seu limite é demarcado pela muralha (templo-fortaleza: poder religioso e militar).

A passagem à cidade mercantil “é marcada pela entrada da praça de mercado no interior das muralhas das cidades controladas pelos mosteiros ou castelos” (Monte-Mór, p.7), incentivada pelas feiras e festivais, onde serão comerciados os produtos do campo. Submissão econômica do campo pela cidade.

Mudança para a cidade industrial: “A população vivendo em cidades não ultrapassava 20% em quase todos os países e a cidade significou condição fundamental para o desenvolvimento da indústria, concentrando a população consumidora, os trabalhadores, e as condições gerais de produção para instalação das empresas fabris”. (Monte-Mór, p.8)

Implosão/explosão: a cidade implode sobre si mesma, adensando o excedente/poder/festa; explode, estendendo o tecido urbano.

“O tecido urbano sintetiza, assim, o processo de expansão do fenômeno urbano que resulta da cidade sobre o campo e, virtualmente, sobre o espaço regional e nacional como um todo.” (Monte-Mór, p.9)

A “sociedade urbana como síntese dialética (e virtual) da dicotomia cidade-campo” (Monte-Mór, p.9)

Monte-Mór. O que é o urbano no mundo contemporâneo

Bruno Vilela. Itaobim. 2011

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Sobre Francisco Freitas

Professor do CEFET-MG, mestre em Filosofia pela UFMG, doutorando em Filosofia na PUC-SP. Atualmente pesquisa a urbanização e a suburbanização, as migrações e o nomadismo contemporâneos.
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