VI. Haussmann ou as barricadas (parte II)

Revolução de 1830: após a dissolução da Câmara e a imposição da censura de imprensa pelo rei Carlos X, a população de Paris levanta-se contra o rei e nos dias 27, 28 e 29 de julho (conhecido como “Os três gloriosos”) ergue barricadas, generalizando-se a guerra civil, ao ponto da Guarda Nacional aderir aos sediciosos. Com receio do radicalismo das classes que haviam feito a revolução, a alta burguesia instala no poder o primo do rei, Luis Filipe, conhecido como “O Rei Burguês”.

Declaração (cínica) do governo provisório de 1830, sugerindo as maneiras de opor-se às tropas:

Ernest MEISSONIER (Lyon, 1815 - Poissy, 1891)

Ernest MEISSONIER
La Barricade, rue de la Mortellerie, juin 1848

“Franceses, todos os meios de defesa são legítimos. Arrancar o calçamento das ruas, jogar as pedras aqui e ali a cerca de um pé de distância a fim de retardar a marcha da infantaria e da cavalaria, levar tantas pedras do calçamento quantas forem possíveis para o primeiro andar, para o segundo e para os andares superiores, ao menos vinte ou trinta pedras para cada casa, e esperar tranquilamente que os batalhões estejam no mio da rua antes de jogá-los para baixo. Que todos os franceses deixem portas, corredores e átrios abertos para o refúgio de nossos atiradores e para levar-lhes ajuda. Que os habitantes conservem seu sangue frio, que não se alarmem. As tropas jamais ousarão entrar dentro das casas, sabendo que lá encontrarão a morte. Seria bom que ficasse uma pessoa em cada porta, a fim de proteger a entrada e a saída de nossos atiradores. Franceses, nossa salvação está em suas mãos; ela será abandonada? Quem dentre nós não prefere a morte à servidão?” (apud. Benevolo, História da arquitetura moderna, p.96)

As barricadas consistiam em trincheiras construídas por pedras tiradas das ruas a fim de impedir a passagem das tropas e proteger os insurgentes durante as revoltas populares, de 1830 e 1848.

A Revolução de 1848 depôs o Rei Luis Filipe e elevou ao poder Louis Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, o qual dissolveu o parlamento e instituiu o “Segundo Império”.

Sobre a ascensão do sobrinho e a reinstauração do governo imperial, Karl Marx comenta:

“Primeiro como tragédia, depois como farsa.”

O “embelezamento estratégico” de Paris, promovido por Haussmann (designado por Louis Bonaparte para governar e reestruturar a cidade parisiense), conseguiu impedir, mais que qualquer apelo ou uso de forças armadas, o levante de barricadas, através do alargamento das ruas para facilitar a operação do exército, e da planificação das vias removendo suas pedras.

O domínio do espaço determina o modo de agir das pessoas.

THIBAULTBarricades rue Saint-Maur. Avant l'attaque, 25 juin 1848. 
Après l’attaque, 26 juin 1848. Daguerréotypes

THIBAULT
Barricades rue Saint-Maur. Avant l’attaque, 25 juin 1848.
Après l’attaque, 26 juin 1848. Daguerréotypes

“As cidades planejadas do século XIX pretendiam tanto facilitar a livre circulação das multidões quanto desencorajar os movimentos de grupos organizados. Corpos individuais que transitam pela cidade tornam-se cada vez mais desligados dos lugares em que se movem e das pessoas com quem convivem nesses espaços, desvalorizando-os por meio da locomoção e perdendo a noção de destino compartilhado.” (Sennett, Carne e pedra, p.326)

Sobre a Comuna de Paris de 1871, a última tentativa de Revolução popular da França novecentista, as referências mais importantes são:

MARX, Karl. O 18 de Brumário de Louis Bonaparte

Lissagaray. A Comuna de Pais. 1877

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Sobre Francisco Freitas

Professor do CEFET-MG, mestre em Filosofia pela UFMG, doutorando em Filosofia na PUC-SP. Atualmente pesquisa a urbanização e a suburbanização, as migrações e o nomadismo contemporâneos.
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Uma resposta para VI. Haussmann ou as barricadas (parte II)

  1. Marina Poloni disse:

    Ah, olha que ótimo: seu blog tá me ajudando muito com outras matérias também!
    Valeu demais. 🙂

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