Centro-periferia: planejamento urbano e exclusão social

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Megacidades

A megacidade [revista piauí]

(texto para discussão na aula de 30/04)

Periferias [revista piauí]

(imagens)

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Urbanização expansiva

Os limites entre o urbano e o rural (os limites de uma cidade, independente do seu tamanho e porte econômico) são cada vez mais difusos. Cidade e campo são categorias sócio-espaciais.

Sobre a precedência do campo em relação à cidade há uma imensa controvérsia. Alguns defendem que a cidade surge com a produção de excedente do campo e a formação de uma classe sedentária que controla o poder. Outros (como Mumford e Soja) defendem que a cidade surge antes mesmo da superprodução agrícola, ou mesmo do assentamento dos nômades com a invenção da agricultura, quando a cidade era definida como lugar de peregrinação e encontro religioso e festivo.

Segundo Mumford, a cidade surge no período neo-paleolítico, da associação entre o caçador-coletor (paleolítico – eminentemente masculino) e o pastor-cultivador (neolítico – eminentemente feminino), exercendo poder aquele sobre este, como proteção, segurança e dominação.

A cidade política é a consolidação da dominação (poder político, econômico e militar) da cidade sobre o campo. O seu limite é demarcado pela muralha (templo-fortaleza: poder religioso e militar).

A passagem à cidade mercantil “é marcada pela entrada da praça de mercado no interior das muralhas das cidades controladas pelos mosteiros ou castelos” (Monte-Mór, p.7), incentivada pelas feiras e festivais, onde serão comerciados os produtos do campo. Submissão econômica do campo pela cidade.

Mudança para a cidade industrial: “A população vivendo em cidades não ultrapassava 20% em quase todos os países e a cidade significou condição fundamental para o desenvolvimento da indústria, concentrando a população consumidora, os trabalhadores, e as condições gerais de produção para instalação das empresas fabris”. (Monte-Mór, p.8)

Implosão/explosão: a cidade implode sobre si mesma, adensando o excedente/poder/festa; explode, estendendo o tecido urbano.

“O tecido urbano sintetiza, assim, o processo de expansão do fenômeno urbano que resulta da cidade sobre o campo e, virtualmente, sobre o espaço regional e nacional como um todo.” (Monte-Mór, p.9)

A “sociedade urbana como síntese dialética (e virtual) da dicotomia cidade-campo” (Monte-Mór, p.9)

Monte-Mór. O que é o urbano no mundo contemporâneo

Bruno Vilela. Itaobim. 2011

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Lefèbvre. A revolução urbana

Lefebvre. Da cidade à sociedade urbana

Lefebvre. O direito à cidade (excertos)

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Lefèbvre e a Teoria Crítica

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma aproximação contrastante entre os pressupostos metodológicos da Teoria Crítica e de Lefèbvre, visando à transição da cidade moderna para o fenômeno urbano.

FREITAS, F. Tentativa de construir uma ponte entre Lefèbvre e a Teoria Crítica

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Exposição “A experiência da cidade: de Paris a Belo Horizonte – Marc Goldstain”

 

O que pode haver em comum entre Paris e a capital mineira? Imagens das duas cidades estarão expostas, a partir desta terça-feira, no Salão Cultural Georges Vincent da Aliança Francesa, em BH. A mostra ‘A experiência da cidade: de Paris a Belo Horizonte – Marc Goldstain’, que reúne pinturas hiper-realistas feitas a partir de locais da Cidade Luz e de BH mineira pelo artista que dá nome à exposição, que nasceu em agosto de 1965 e desde 1992 já realizou mais de 50 exposições, entre coletivas e individuais.

O pintor passeia por diversas paisagens urbanas, de onde emerge escritura particular, destacando as diferenças desses lugares e a maneira como as percebe. Estão sendo mostradas 10 pinturas que representam Paris e sua periferia, e uma obra que representa o conjunto IAPI de BH.

Data: De 03 a 27 de abril de 2013
Local: Salão Cultural Geroges Vincent da Aliança Francesa de Belo Horizonte
Rua Tomé de Souza, nº 1418 – Savassi
Entrada franca
Horários de funcionamento: de segunda a quinta, das 7h30 às 21h / sexta de 07h30 às 16h30 / sábado de 13h às 16h30.
Informações: http://www.aliancafrancesabh.com.br / (31) 3292-6818

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Exposição “A Natureza de Burle Marx”

Museu da Inconfidência inaugura mostra com obras de Burle Marx

Poderão ser conferidas esculturas, gravuras, pintura e desenhos que fazem parte do acervo do Centro Cultural Sítio Roberto Burle Marx (IPHAN/MinC) e revelam a faceta artística do paisagista Roberto Burle Marx pouco conhecida pelo grande público.

Burle Marx (1909 – 1994) é considerado um dos melhores criadores de jardins do século XX. Foi responsável pelos projetos paisagísticos de parques e jardins públicos em diversos países. No Brasil, tem destaque seu trabalho no Parque do Flamengo (1961), e Avenida Atlântica (1970), no Rio de Janeiro; os Jardins da Pampulha (1938), na capital mineira, e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Com grande consciência ecológica, usou em suas composições espécies constitutivas da paisagem local.
Artista múltiplo, Burle Marx, além de paisagista, era pintor, desenhista, cenógrafo, designer, escultor, gravador e cantor. Sendo grande conhecedor de botânica, tinha as plantas como sua matéria-prima. A pintura representava para ele uma espécie de renovação da sensibilidade. Não se limitava a um único estilo. Disse a respeito: “Detesto a fórmula. Adoro princípios”. A visitação à mostra é gratuita e ocorrerá de terça a domingo, das 12 às 18h, até 26 de maio.

ONDE: Sala Manoel da Costa Athaide, Anexo I do Museu da Inconfidência. Rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro.
VISITAÇÃO: Terça a domingo, 12 às 18h, até 26 de maio de 2013.
INFORMAÇÕES: http://museudainconfidencia.gov.br
ENTRADA GRATUITA.

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VI. Haussmann ou as barricadas (parte II)

Revolução de 1830: após a dissolução da Câmara e a imposição da censura de imprensa pelo rei Carlos X, a população de Paris levanta-se contra o rei e nos dias 27, 28 e 29 de julho (conhecido como “Os três gloriosos”) ergue barricadas, generalizando-se a guerra civil, ao ponto da Guarda Nacional aderir aos sediciosos. Com receio do radicalismo das classes que haviam feito a revolução, a alta burguesia instala no poder o primo do rei, Luis Filipe, conhecido como “O Rei Burguês”.

Declaração (cínica) do governo provisório de 1830, sugerindo as maneiras de opor-se às tropas:

Ernest MEISSONIER (Lyon, 1815 - Poissy, 1891)

Ernest MEISSONIER
La Barricade, rue de la Mortellerie, juin 1848

“Franceses, todos os meios de defesa são legítimos. Arrancar o calçamento das ruas, jogar as pedras aqui e ali a cerca de um pé de distância a fim de retardar a marcha da infantaria e da cavalaria, levar tantas pedras do calçamento quantas forem possíveis para o primeiro andar, para o segundo e para os andares superiores, ao menos vinte ou trinta pedras para cada casa, e esperar tranquilamente que os batalhões estejam no mio da rua antes de jogá-los para baixo. Que todos os franceses deixem portas, corredores e átrios abertos para o refúgio de nossos atiradores e para levar-lhes ajuda. Que os habitantes conservem seu sangue frio, que não se alarmem. As tropas jamais ousarão entrar dentro das casas, sabendo que lá encontrarão a morte. Seria bom que ficasse uma pessoa em cada porta, a fim de proteger a entrada e a saída de nossos atiradores. Franceses, nossa salvação está em suas mãos; ela será abandonada? Quem dentre nós não prefere a morte à servidão?” (apud. Benevolo, História da arquitetura moderna, p.96)

As barricadas consistiam em trincheiras construídas por pedras tiradas das ruas a fim de impedir a passagem das tropas e proteger os insurgentes durante as revoltas populares, de 1830 e 1848.

A Revolução de 1848 depôs o Rei Luis Filipe e elevou ao poder Louis Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, o qual dissolveu o parlamento e instituiu o “Segundo Império”.

Sobre a ascensão do sobrinho e a reinstauração do governo imperial, Karl Marx comenta:

“Primeiro como tragédia, depois como farsa.”

O “embelezamento estratégico” de Paris, promovido por Haussmann (designado por Louis Bonaparte para governar e reestruturar a cidade parisiense), conseguiu impedir, mais que qualquer apelo ou uso de forças armadas, o levante de barricadas, através do alargamento das ruas para facilitar a operação do exército, e da planificação das vias removendo suas pedras.

O domínio do espaço determina o modo de agir das pessoas.

THIBAULTBarricades rue Saint-Maur. Avant l'attaque, 25 juin 1848. 
Après l’attaque, 26 juin 1848. Daguerréotypes

THIBAULT
Barricades rue Saint-Maur. Avant l’attaque, 25 juin 1848.
Après l’attaque, 26 juin 1848. Daguerréotypes

“As cidades planejadas do século XIX pretendiam tanto facilitar a livre circulação das multidões quanto desencorajar os movimentos de grupos organizados. Corpos individuais que transitam pela cidade tornam-se cada vez mais desligados dos lugares em que se movem e das pessoas com quem convivem nesses espaços, desvalorizando-os por meio da locomoção e perdendo a noção de destino compartilhado.” (Sennett, Carne e pedra, p.326)

Sobre a Comuna de Paris de 1871, a última tentativa de Revolução popular da França novecentista, as referências mais importantes são:

MARX, Karl. O 18 de Brumário de Louis Bonaparte

Lissagaray. A Comuna de Pais. 1877

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VI. Haussmann ou as barricadas (parte I)

O principal fator responsável pelo processo de urbanização das cidades no século XIX é o rápido e gigantesco crescimento populacional.

“Acompanhada de uma súbita queda da mortalidade, essa evolução geral devida a melhores padrões nutritivos e a técnicas médicas aperfeiçoadas, deu origem a uma concentração urbana sem precedentes, primeiro na Inglaterra, depois, com diferentes taxas de crescimento, em todo o mundo em desenvolvimento.”. (Frampton, História crítica da arquitetura moderna, p.14)

Crescimento populacional de 1801 a 1901:
Londres: de 1 milhão para 6,5 milhões.
Manchester: de 75 mil para 600 mil.
Paris: de 500 mil para 3 milhões.
Na América, o crescimento foi ainda mais vertiginoso:
Nova York: de 33 mil para 500 mil em 1850, e 3,5 milhões em 1901.
Chicago: de 3 mil em 1833 para 30 mil em 1850, e 2 milhões em 1901.

Mas este crescimento desproporcional à estrutura da velha cidade leva a novos problemas sanitários: “Com um escoamento precário e uma manutenção inadequada, tais condições levavam à acumulação de excrementos e lixo e a inundações, o que provocava naturalmente uma alta incidência de doenças – primeiro a tuberculose, depois, ainda mais alarmante para as autoridades, os surtos de cólera na Inglaterra e na Europa Continental, nas décadas de 1830 e 1840.” (Frampton, p.14)

As obras de reconstrução da cidade de Paris pelo prefeito Barão Haussmann, entre 1853 e 1869, visavam a “corrigir” esta desproporção.

A necessidade de reconstrução da cidade não provém de uma discussão entre arquitetos – preocupados com o estilo a ser estabelecido para a nova arquitetura – mas das revoluções técnicas e higienistas (as primeiras leis sanitárias são o começo da legislação urbana).

A urbanística neoconservadora de Haussmann: “A urbanística desempenha um papel importante neste novo ciclo de reformas e transforma-se em um dos mais eficazes instrumentos de poder, especialmente na França.” (Benevolo, História da arquitetura moderna, p.92)

A reconstrução de Paris ocorre por motivos políticos (lutas pelo poder), econômicos (especulação imobiliária, transporte) e sociais (crescimento populacional, higienização).

Padronização urbanística e arquitetônica: proporção entre a altura da fachada e a largura da rua, uniformidade paisagística.

Etapas da haussmannização (1853-1869):

a) Obras viárias: urbanização da periferia, abertura de novas vias, reconstrução de edifícios ao longo do novo alinhamento.

b) Edificações públicas: escolas, hospitais, asilos, prisões, escritórios administrativos, bibliotecas, colégios, mercados, pontes e edifícios militares. A habitação torna-se uma questão de Estado; mas apesar de Luís Napoleão implantar o primeiro complexo de casas populares, esta medida não é suficiente diante da densidade populacional e da crescente especulação imobiliária, favorecida pelo império.

c) Higienização: fornecimento de água triplicado, rede hidráulica duplicada, rede de esgoto quadruplicada, com a instalação de depósitos coletores abaixo do Sena; rede de iluminação a gás triplicada; reordenação e monopolização do transporte público; novos cemitérios fora da cidade.

d) Administração: as Comunas ao redor de Paris são anexadas à cidade, dividindo a cidade em 20 arrondissements, com parte das funções administrativas descentralizadas.

“Com efeito, as obras públicas não fazem somente subir os preços dos terrenos circundantes, mas influem em toda a cidade, favorecendo seu crescimento e aumentando as rendas globais. Esses efeitos garantem por si sós ao administrador um aumento contínuo das entradas ordinárias, e permitem tomar de empréstimo somas vultuosas dos estabelecimentos bancários, como o faz qualquer empresa particular.” (Benevolo, p.102)

A renda per capta do cidadão francês duplica, passando de 2.500 para 5.000 francos, e a renda da cidade cresce dez vezes, de 20 para 200 milhões de francos. Mas isto não significa distribuição de renda. “Pode-se portanto afirmar que a própria cidade paga por sua reordenação.” (Benevolo, p.102)

Camille Pissarro, Boulevard Montmartre, 1897

Os bairros perdem sua fisionomia própria, sua individualidade, “enquanto que os espaços são qualificados muito mais pela multidão e pelos veículos que os percorrem, do que pelos edifícios circundantes, ou seja, de maneira sempre variável.” (Benevolo, p.110) Vide os quadros impressionistas de Monet e Pissarro dos boulevards.

Claude Monet, Boulevard des Capucines, 1873

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Oficina “A cidade como jogo: deambulações, derivas e desvios”

Oficina “A cidade como jogo: deambulações, derivas e desvios“, com Paulo Rocha*.

Dia 26/03: às 7h e às 9h
Dia 27/03: às 13h e às 15h
Local: Pavilhão de Cursos Superiores, IFMG, campus Ouro Preto.

*Paulo Rocha é graduado em filosofia pela UFMG e integrante do coletivo [comjuntovazio].

Textos:

http://comjuntovazio.wordpress.com/category/mapa-afetivo-da-cidade/

Guy Debord. Teoria da Deriva

Internacional Situacionista. Apologia da Deriva

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